Patinho Branco

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Trem da Morte



Saiu da estação da Luz em São Paulo às 9 horas pontualmente. Se me lembro era um trem razoavelmente confortável e muito imponente, espaçoso de dar gosto.

Tomei meu lugar, ao meu lado o meu amigo Waldir, companheiro de todas as horas nessa viagem.

Trabalhávamos na mesma empresa e quando descobrimos que poderíamos tirar férias na mesma data, arranjamos logo algo para fazer: viajar pela América do Sul de trem, o que seria uma bela aventura, alem de custar relativamente pouco, como convinha. Era o pé na estrada, no caso, pé na estrada de ferro.

Isso era mesmo coisa de jovem, passeio da moda, pois no trem encontramos outros grupos que já vinham viajando desde o nordeste, todos estudantes também, acompanhados das namoradas, do violão, papagaio e muita cantoria.

Estávamos ansiosos, esperando a partida do trem, que ainda faltavam alguns minutos e dávamos assas a imaginação especulando como seria a viagem, até onde seria possível chegar sem visto. Era meio que lenda, a historia de um acordo entre os paises da América do Sul que permitia viajar, por esses paises, só com a carteira de identidade. A política nessa região sempre foi bastante conturbada e era um golpe político atrás do outro, que dependendo do governo da época, da guerrilha e do trafico de drogas, podia-se ou não viajar só com a carteira de identidade. Mas isso nós acabaríamos descobrindo na hora de entrar na Bolívia, cuja fronteira era relativamente vigiada, nem tanto devido ao trafico de drogas e mais pelo movimento da guerrilha, já que no Brasil estávamos em plena ditadura militar e os nossos generais queriam ver esse negocio de guerrilha bem longe, afinal dava muito trabalho.

As poltronas eram numeradas, de forma que foi fácil se acomodar já que de bagagem levávamos apenas uma mochila cada um. Os passageiros todos nos seus lugares, uma ou outra criança agitando, mas nada que incomodasse, a viagem seria mesmo uma maravilha. Mal sabíamos o que nos esperava.

De fato a viagem era muito confortável , bem diferente das viagens urbanas nos trens da Santos Jundiaí, que fazíamos às vezes entre as cidades da Grande São Paulo, trens lotados, bêbados vendedor de amendoim, pastor pregando, e os batedores de carteira que nunca eram presos.

Viajamos por horas, talvez sete ou oito, até chegarmos a cidade de Bauru, onde tivemos a primeira surpresa da viagem. Uma baldeação, aquilo que nos aeroportos chamamos de conexão, que deveria ser uma coisa tranqüila e sem maiores correrias.

Quando o trem parou na estação de Bauru, todo mundo saiu correndo do trem, como se alguem gritasse bomba, bomba, e rapidamente ocupavam a outra composição de trens, que estava em frente na outra borda da plataforma.

Eu e o meu companheiro, o Waldir, calmamente apanhamos nossas mochilas e nos dirigimos para a outra composição à procura dos nossos lugares, quando descobrimos que a numeração das poltronas já era, não valia mais, quem sentou, sentou, quem não sentou não senta mais.

Nessa fase da viagem o trem já estava mais vazio, mas nem tanto, e nos acomodamos onde foi possível, já que fomos os últimos a chegar, achando que nossos lugares estavam garantidos.

Andamos por todos os vagões, procurando um lugar que nos agradasse e notamos que somente os primeiros lugares, do lado esquerdo, a contar do inicio do vagão, estavam invariavelmente desocupados.

Marinheiros de primeira viagem que éramos, mas desconfiados de tudo, e sem alternativas, ficamos em um desses lugares logo nos primeiros bancos, que alias davam mais espaço para as pernas.

O trem partiu. No primeiro tranco da partida, a porta da cabine que ficava bem a nossa frente se abriu, e descobrimos porque ninguém queria ficar naqueles lugares, e lembrei do velho ditado; laranja madura na beira da estrada, ta bichada Zé, ou tem marimbondo no pé.

A tal cabine era tão somente o banheiro, que pelo cheiro, não era limpo há semanas, motivo também da correria na baldeação: todo mundo sabia do cheiro; menos nós.

As fechaduras dos banheiros de todos os vagões estavam quebradas, de forma que as portas ficavam abrindo e fechando, conforme o movimento do trem. Não tinha como isolar aquele cheiro fechando a porta, e ainda não tinha como evitar o “beng- beng” do bater da porta, com o balanço do trem.

Alem do cheiro e das pancadas da porta, a viagem correu sem novidades, a não ser o fato de que, a cada parada nas Estações, mais gente entrava e entupia o trem. Era de madrugada, e tinha gente de pé nos corredores de tão lotada que ficou a composição.

No fim de cada vagão tinha uma espécie de varanda, local muito usado pelos fumantes pois era proibido fumar no trem, e toda hora passava um funcionário de uniforme azul para fiscalizar, ou os fumantes, ou as passagens, ou anotar algum pedido para o restaurante, ou ainda entregar o marmitex, já que o carro restaurante, não se sabe porque, não funcionava. Com o trem lotado, o povo comia em pé mesmo. Era um prato de arroz com feijão, farofa e frango, que quando caia no chão, sujava tudo de gordura e complicava ainda mais a limpeza daquele velho trem, desconfortável e sujo.

Era dezembro e o calor estava insuportável. Durante o dia a paisagem distraia, mas durante a noite com o trem cheio, a distração era olhar para a cara dos outros ou fingir que estava dormindo, já que dormir mesmo não dava.

Eram pessoas muito sofridas, tristes e com um comportamento às vezes estranho ou diferente do esperado, eram pessoas que não vemos no dia a dia, não por elas não existirem, mas por estarem escondidas na multidão. Nessas ocasiões é que percebemos a diversidade do povo brasileiro, povo moreno em sua maioria, com poucos brancos ou negros. Essa imagem da nossa gente, só se conhece viajando pelo interior do Brasil, um povo moreno como os Hindus, que não aparece na televisão, e portanto é como se não existisse, mas esse é o verdadeiro povo brasileiro. Só quem viajou pelo interior do Brasil, pode dizer que conhece seu povo, quem não viajou nem imagina. Quem não é moreno, seja da etnia que for, um dia será, claro que falamos da descendência. Um dia, seremos todos mestiços, da cor dos hindus.

Era noite, um calor infernal, e a maioria das janelas ficavam fechadas, ou por vontade do passageiro que não queria tomar vento, ou por defeito mesmo, por falta de manutenção, já que as estradas de ferro estavam se acabando, conforme a política vigente até os dias de hoje, para facilitar a vida da industria automobilística.

Mas, retornando a viagem, o calor é infernal naquela região e o que salvava era o vento do trem em movimento, mas quando o trem parava nas estações o vento sumia. Era mais gente que entrava e ninguém saia, parecia horário de pico em São Paulo, só que no meio do mato. O leitor pode estar achando que eu exagero na narrativa, mas é isso mesmo. No meio de mato a caminho de Campo Grande , duas horas da manhã, o trem lotado e um escuro de dar dó, parado no meio do nada, esperando o outro trem que vinha em sentido contrario, já que o trilho, só tem para uma via. Nós suávamos de bica.

Eu não agüentava mais aquele calor, alem do mais precisava mexer as pernas, pois já havia horas que eu estava sentado naquela poltrona desconfortável. Fui ate o fundo do trem, na tal da varanda, tomar um ar, apesar de correr o risco de perder o lugar, que o Waldir guardava. Nessas horas era preciso virar um Dobermann para convencer aos mais insistentes, que o lugar estava ocupado.

O trem continuava parado na mais completa escuridão a não ser por uma ou outra pequena luz, talvez de emergência que ficava acesa, mas não iluminava nada, apenas sinalizava sua posição. Fiquei ali na varanda fumando e me refrescando com o ar fresco, ouvindo o barulho da bicharada no mato e apreciando o céu estrelado, que pela escuridão da mata ficava mais estrelado ainda.

Havia no céu uma estrela maior que as outras, e que parecia se mexer de tão brilhante que era. Julguei ser Vênus, muitas vezes confundida com óvni, de tão grande que ela aparece no céu. Planeta ou estrela era só um detalhe diante de tanta beleza, dei a ultima tragada naquele cigarro , pensando nos bichos barulhentos da noite, quando as luzes luz se acenderam. Sinal que o trem ia partir, quando olhei novamente para o céu, Vênus havia desaparecido. Entrei rapidinho.

Meu lugar ainda estava lá, mas o povo já andava de olho, o Waldir respirou aliviado quando cheguei, e daí ele foi também tomar um ar. Não falei nada de que Vênus havia desaparecido; afinal ele iria dizer que foi o cigarro, e não foi. O cigarro era cigarro mesmo!

Foi pela manhã, lá pelas oito horas que chegamos a estação de Campo Grande, que como as demais estações, era velha e mal cuidada, só que essa era um pouquinho mais feia. Fizemos nova baldeação.

Como já não éramos mais marinheiros de primeira viagem, ficamos espertos e fizemos a baldeação na velocidade de uma bala. Nem era preciso, pois o trem estava praticamente vazio, com meia dúzia de gatos pingados.

Os banheiros cheiravam igual ou pior que a composição anterior, e esse trem era na verdade bem pior. Os bancos eram bancos de fato, de madeira ripada, daqueles que o encosto vira de frete para trás e de trás para frente, composição bem antiga do tempo dantão.

Logo depois da saída de Campo Grande, vimos um Tamanduá Bandeira enorme, correndo solitário pelo campo. Foi uma visão inesperada, e inesquecível dada à beleza do animal vivendo em liberdade.

Já estávamos chegando a uma das regiões mais bela do planeta, o Pantanal, e a viagem começava a valer.

O trem quase vazio, ia parando pelas pequenas estações de forma que podíamos com tranqüilidade apreciar o povo local, povo de fronteira, um pouco rude e com costumes estranhos para nos. Lembro de uma dessas paradas, que da janela vi uma cena que por muitos anos ficou na minha lembrança. Foi quando um homem de aspecto rude, e que estava na plataforma para tomar o trem , se despedia do amigo , dizendo que ia até a cidade mais próxima, buscar remédio para sua mulher que estava doente, e puxando um punhal da cintura, entregou ao amigo pedindo a este que cuidasse da sua família ate sua volta. O amigo pegou a arma, e com certo ar solene disse: vá tranqüilo que eu não dormirei enquanto você não voltar.

Essa imagem ficou por muito tempo na minha lembrança, marcada pela rudeza desse povo das fronteiras, talvez lembranças de um passado belicoso com os povos visinhos, coisa ainda nem tão distante no tempo, que mesmo sendo águas passadas, ainda estão na memória do inconsciente.

Chegamos em Corumbá de noitezinha com pouquíssima gente no trem. Apanhamos as nossas mochilas para pernoitar na cidade, pois ali já era fronteira com a Bolívia e precisávamos de passagens para continuar a viagem do outro lado.

Como a estação ferroviária era um pouco retirada da cidade, procuramos um táxi que nos levasse até um hotel, mas não vimos nada, tudo deserto. Procurei a ajuda de um funcionário da estação, que nos apontou uma carroça dizendo que aquele era o táxi. Não acreditei, mas era verdade.

Dissemos ao carroceiro que queríamos passar a noite na cidade, pois estávamos de viagem para a Bolívia, e queríamos um hotel, apenas por aquela noite. Muito bem, andou com aquele cavalo por dois quarteirões e já estávamos no hotel. Pagamos uma bela corrida.

Era um hotel simples, mas confortável, e próximo da estação de trem, de forma que estava de mão para o dia seguinte, para continuar a viagem.

Estávamos na recepção do hotel , preenchendo a fixa, quando o gerente pediu que colocássemos horários diferentes na chegada ao hotel, coisa estranha, mas depois ele justificou dizendo que como éramos estudantes e barbudos, se colocássemos na fixa que chegamos no hotel juntos, no dia seguinte estaríamos presos, confundidos com querrilheiros.

Ficamos preocupados, aquele hotel era mesmo estranho, mas para uma noite servia. Havíamos combinado que logo pela manhã cairíamos fora, até que tivemos boa conversa com o gerente do hotel, que nos assegurou que se tentássemos tomar o trem para Santa Cruz, sem visto, seriamos presos no meio do caminho, já que policiais federais brasileiros e bolivianos viajavam no trem a procura de subversivos, qualificação muito comum naquele tempo, usada pelas autoridades para extorquir os cidadãos.

Informara ainda que a historia de se viajar só com a carteira de identidade, valia para bolivianos que vinham para o Brasil, mas não valia para brasileiros que iam para a Bolívia, tudo dependendo do governo que estava no poder.

Fomos até a Capitania dos Portos tentar uma autorização, que seria um tipo de Salvo Conduto, um tipo de quebra-galho, para que pelo menos pudéssemos chegar a Santa Cruz, sem sermos incomodados, ou se fossemos, teríamos algum documento para apresentar, tanto para uma policia, quanto para a outra.

Em vão, não conseguimos nada, talvez por causa da barba comprida, pois fomos muito mal atendidos pelos militares que ali estavam, já que era comum fornecerem essa autorização provisória, segundo os moradores do lugar. Essa vida de marinheiro de primeira viagem é triste. Para nós era o fim da linha.

Diante dos imprevistos, acabamos ficando naquele hotel estranho mesmo, já que fizéramos amizade com o Gerente, que descobrimos depois, era amante da dona do Hotel e amigão do marido dela, que também trabalhava lá pelo hotel, fazendo não lembro o que. Tiramos o dia para descansar e conhecer a cidade.

Corumbá é mesmo uma cidade muito quente, a temperatura às vezes beira e até passa os quarenta graus. Nos restaurantes e nos cafés, se servia primeiramente, pedisse ou não, água gelada em jarras enormes, que de tempos em tempos, eram trocadas por outras, já que perdiam o gelo muito de modo muito rápido.

Cerveja gelada saia do frízer, e tinha que ser bebida imediatamente, senão esquentava,

Apesar do calor, fumante que eu era, resolvi tomar um cafezinho antes do cigarro e entramos em uma dessas casas de café.

Achei que tinha errado a porta e entrado em alguma sorveteria. As paredes e o balcão eram de mármore ou granito, dando a impressão de estarmos em uma daquelas sorveterias antigas. Serviam nos balcões,as tais jarras de água gelada com copos igualmente enormes. Pedi o café, fumei meu cigarro e tomei a água gelada antes de ir embora e sair de novo naquele sol de matar.

O calor era tanto que para se tomar um cafezinho, primeiro tomava-se um copo de água gelada e só depois se tomava o café, alguns tomavam outro copo de água gelada depois do café.

No hotel, principalmente no restaurante, e durante o jantar, é que era possível observar a movimentação dos outros hospedes.Tão estranhos quanto o hotel,os hospedes estavam sempre cochichando às mesas, olhando de lado, sempre com ar desconfiado, principalmente na nossa presença. Acho que os estranhos nessa historia éramos eu e o Waldir.

No dia seguinte, fizemos um passeio de ônibus até Puerto Suarez, na Bolívia, para fazermos compras. Um

ônibus partia ali do centro de Corumbá, passava pela Aduaneira e parava em Puerto Suarez. Cidade pequena que mais parecia um vilarejo.

A Aduaneira, como era chamada, era provavelmente um posto do Exercito, já que pelo uniforme que usavam, pelas armas que carregavam e pela educação que tinham,não poderia ser outra coisa. Ameaçavam todo mundo, primeiro pedindo documentos de um e de outro, e os nossos evidentemente, alem de nos encheram de perguntas. Só não fomos presos, porque não por acaso, levamos nossas carteiras profissionais, que serviu para mostrar que não éramos apenas estudantes.

Nessa época estudante, comunista e guerrilheiro era tudo a mesma coisa, para o exercito naturalmente. Depois de checados os documentos e feito o interrogatório, ameaçavam prender quem comprasse produtos brasileiros, como camisetas, calças, sapatos e sei lá mais o que, já que no retorno o ônibus haveria uma revista geral.

Seguimos viagem por aquela estrada de terra , e dois quilômetros pra frente, passamos pela fiscalização Boliviana. Era um quiosque de sapé, com um único soldado, que sentado sobre uma cerca de mourões, acenava para nós dando um tchau. O motorista acelerou, e sumimos por entre as curvas da estrada barrenta, parando somente no nosso destino. Ainda era de manhã.

Era uma única rua , enlameada, que acabava em um rio, de forma que tínhamos que andar pelas calçadas, feitas de madeira, como nos filmes sobre o Velho Oeste. As lojas também eram de madeira e muito mal cuidadas, algumas nem pitadas eram. Nas vitrines, relógios Rolex, maquinas fotográficas e bebidas estrangeiras, faziam um contraste indescritível com o lugar.

Entramos em um bar e pedimos uma cerveja, afinal era preciso comemorar, não foi como queríamos, mas estávamos na Bolívia, e para caprichar pedimos uma cerveja boliviana; nem cachaça pura era tão ruim, e ainda estava sem gelo. Não deu para tomar.

Por fim compramos artesanato indígena e voltamos para o ônibus, pois era impossível andar pelas lojas, não pelo excesso de gente, mas pelo excesso de barro.

Voltamos para Corumbá, já á tarde, lá pelas quatro horas. O soldado Boliviano já tinha ido embora, a aduana no Brasil realmente revistou os passageiros, e liberou todo mundo e a viagem terminou sem sobressaltos.

Acho que por causa dos atropelos da viagem , os imprevistos, e o fato de estar longe da família, não havíamos percebido que os dias haviam se passado rapidamente e já era véspera de natal. Não podíamos seguir viagem sem os vistos e não havia tempo de retornar, para passar o natal em casa. Resolvemos passar o Natal no Hotel.

Como a essa altura, nos éramos os únicos hospedes no hotel, acabamos sendo convidados para a ceia de Natal, que seria promovida pela dona do hotel, cujo nome não lembro mais. Mas como nada na vida é de graça, havia uma condição a cumprir : teríamos que entregar a chave do quarto na recepção enquanto as meninas estivessem no hotel. Meninas?

Aconteceu um impasse. A ceia era uma coisa familiar e nada tinha a haver com os hospedes Hotel e como eles podiam colocar a gente para fora, resolveram nos convidar para ceia, desde que nos comportássemos, já que as meninas eram as filhas da dona do hotel.

Fiquei muito impressionado com aquela mulher, que me parecia uma bruxa mandona, pouco incomodada com o pobre marido, sempre chamando sua atenção, mesmo na presença dos hospedes, mal encarada e pouco ligando para as palavras. Tinha lá seus 48 anos, altura mediana, meio gorda, e com um andar que mais parecia uma pata indo para a lagoa. Quem acreditaria que essa megera, havia adotado crianças pobres, as quais cuidava com tanto zelo, que chamava de filhas, tendo pedido que mantivéssemos a porta do nosso quarto trancado, e com a chave entregue ao gerente. Quanto zelo.

É bom ter cuidado mesmo, afinal nesse mundo em que se vive, não podemos confiar em ninguém, ainda mais em se tratando de meninas.

Nós não sabíamos, mas já imaginávamos, e tudo foi confidenciado a nós mais tarde, por algum funcionário do hotel. É que aquela zelosa Senhora, também era dona de uma boate e que as meninas, a quem ela carinhosamente chamava de filhinhas, eram as garotas de programa, que também carinhosamente, chamavam a rufiona de mãezinha.

Certo é que pelas 22 horas, estávamos no restaurante do hotel de garfo e faca nas mãos, e rodeados pelas meninas. Chegaram em fila indiana, e todos nós sentamos, cada qual na sua posição, sempre seguindo as orientações e ordens do general de saias. Nem o marido, nem o gerente, tinham coragem sequer de levantar os olhos.

Havia no meio do restaurante, uma mesa enorme para vinte ou pessoas ou mais. Na ponta direita estava a Bruxa com um enorme porco assado à sua frente, daqueles com maçã na boca, depois tínhamos risoto, peru, macarrão, frutas e etc.

O champanha, de cidra, não podia faltar, alem do vinho tinto doce de garrafão e o refrigerante, tudo muito bem gelado, afinal aquele calor infernal também entrava pela noite e não dava trégua.

Para nossa sorte ou azar, ficamos no meio da mesa, rodeados pelas moçoilas, e muito bem vigiados, não dava nem para respirar. Estávamos incomodados com aquela situação, pois éramos o centro das atenções, os estranhos do lugar.

Toda noite, lá pelas 23 horas havia corte de energia, e naquela noite não foi diferente. Ao primeiro sinal de escuridão, a matrona completamente bêbada, de facão em punho, gritou que o primeiro Filho da Puta que saísse da mesa iria morrer. Deu ordem para que trouxessem as velas, que rapidamente foram acessas e colocados sobre a mesa.

Com a enorme faca de cortar o porco, ela ameaçava para que ninguém fosse para o corredor que dava acesso aos quartos, e aos palavrões dava ordens ao marido que obedecia resignadamente. Ninguém tinha coragem de contrariar suas ordens, nem o marido, nem o gerente amante, nem as meninas e nem nos, que não somos tatu.

Ficamos ali na mesa aterrorizados olhando para aquela figura bêbada, de facão em punho, iluminada pelas velas da mesa, imóvel feito uma estatua, olhando para nossa cara e babando. Tudo gente fina!

Demorou, mas a luz chegou e alguem logo colocou um disco para tocar e o baile começou, claro, com a autorização necessária. Foi mesmo um alivio e logo fui para fora, e fiquei lá na calçada do hotel tomando uma fresca, já que eu estava molhado de suor, não sei se pelo calor que fazia, ou pelo facão. O Waldir chegou logo depois de mim, pois não agüentava mais ficar ouvindo Odair José, Valdique Soriano e outros, sem falar nas guaranias.

Ali mesmo na calçada combinamos de voltar para casa logo pela manhã. Estávamos preocupados, com aquela situação, longe de casa, num hotel suspeito, com uma dona suspeita, com um gerente estranho, sem falar nas figuras que apareciam lá pelo hotel, que chegavam cochichavam e iam embora, e que também não nos faltou oferta de droga, que por lá, era coisa normal.

Se não conseguíssemos um trem para São Paulo, pegaríamos um ônibus cuja viagem era mais rápida, mas de qualquer forma iríamos embora, ou em ultimo caso mudaríamos de hotel. Fomos dormir e não vimos as meninas irem embora.

Pela manhã, bem cedo, pedimos para fechar a nossa conta. Agradecemos a hospitalidade e a ceia da noite passada, e nos mandamos o mais rápido possível para a estação de trem, que para nossa surpresa tinha o trem que queríamos e já estava de saída. A sorte voltou!

A volta foi muito diferente, pois pouca gente estava viajando, como é de se esperar para o dia de Natal. As pessoas sempre viajam antes ou depois, mas no dia de Natal, só os perdidos como nós.

O trem seguia pachorrento seu caminho, parava nas estações, mas era pouco o movimento de passageiros. Estávamos ansiosos paras chegar em casa, e a pouca velocidade do trem que foi uma benção na ida, se tornara um inferno na volta.

Só chegamos a Campo Grande á noite e não agüentávamos mais viajar de trem, pelo menos faríamos uma baldeação e tocaríamos o trem, já era alguma coisa.

Seria mais um dia inteiro de viagem, e esse pensamento tortuoso deu uma idéia ao Waldir. A estação rodoviária era ali próxima, já sabíamos, e a baldeação levaria ainda 10 minutos.

De mochila nas costas corremos para a estação rodoviária, para ver se tinha ônibus naquele momento para Sampa, caso contrario voltaríamos a tempo de pegar o trem na baldeação.

Era noite e erramos o caminho para a rodoviária perdendo um tempo danado. Provavelmente o trem já tinha partido e começou a bater o desespero. Por fim estávamos bem de frente à estação rodoviária, e a sorte ainda bafejava para nós. Conseguimos passagens para o ônibus, que alias estava de saída, de modo que não perdemos tempo nenhum, e ganharíamos 12 horas de viagem. Dito e feito.

Lar doce lar, passei 3 dias sem sair de casa, nem na esquina eu fui.

Saiu da estação da Luz em São Paulo às 9 horas pontualmente. Se me lembro era um trem razoavelmente confortável e muito imponente, espaçoso de dar gosto.

Tomei meu lugar, ao meu lado o meu amigo Waldir, companheiro de todas as horas nessa viagem.

Trabalhávamos na mesma empresa e quando descobrimos que poderíamos tirar férias na mesma data, arranjamos logo algo para fazer: viajar pela América do Sul de trem, o que seria uma bela aventura, alem de custar relativamente pouco, como convinha. Era o pé na estrada, no caso, pé na estrada de ferro.

Isso era mesmo coisa de jovem, passeio da moda, pois no trem encontramos outros grupos que já vinham viajando desde o nordeste, todos estudantes também, acompanhados das namoradas, do violão, papagaio e muita cantoria.

Estávamos ansiosos, esperando a partida do trem, que ainda faltavam alguns minutos e dávamos assas a imaginação especulando como seria a viagem, até onde seria possível chegar sem visto. Era meio que lenda, a historia de um acordo entre os paises da América do Sul que permitia viajar, por esses paises, só com a carteira de identidade. A política nessa região sempre foi bastante conturbada e era um golpe político atrás do outro, que dependendo do governo da época, da guerrilha e do trafico de drogas, podia-se ou não viajar só com a carteira de identidade. Mas isso nós acabaríamos descobrindo na hora de entrar na Bolívia, cuja fronteira era relativamente vigiada, nem tanto devido ao trafico de drogas e mais pelo movimento da guerrilha, já que no Brasil estávamos em plena ditadura militar e os nossos generais queriam ver esse negocio de guerrilha bem longe, afinal dava muito trabalho.

As poltronas eram numeradas, de forma que foi fácil se acomodar já que de bagagem levávamos apenas uma mochila cada um. Os passageiros todos nos seus lugares, uma ou outra criança agitando, mas nada que incomodasse, a viagem seria mesmo uma maravilha. Mal sabíamos o que nos esperava.

De fato a viagem era muito confortável , bem diferente das viagens urbanas nos trens da Santos Jundiaí, que fazíamos às vezes entre as cidades da Grande São Paulo, trens lotados, bêbados vendedor de amendoim, pastor pregando, e os batedores de carteira que nunca eram presos.

Viajamos por horas, talvez sete ou oito, até chegarmos a cidade de Bauru, onde tivemos a primeira surpresa da viagem. Uma baldeação, aquilo que nos aeroportos chamamos de conexão, que deveria ser uma coisa tranqüila e sem maiores correrias.

Quando o trem parou na estação de Bauru, todo mundo saiu correndo do trem, como se alguem gritasse bomba, bomba, e rapidamente ocupavam a outra composição de trens, que estava em frente na outra borda da plataforma.

Eu e o meu companheiro, o Waldir, calmamente apanhamos nossas mochilas e nos dirigimos para a outra composição à procura dos nossos lugares, quando descobrimos que a numeração das poltronas já era, não valia mais, quem sentou, sentou, quem não sentou não senta mais.

Nessa fase da viagem o trem já estava mais vazio, mas nem tanto, e nos acomodamos onde foi possível, já que fomos os últimos a chegar, achando que nossos lugares estavam garantidos.

Andamos por todos os vagões, procurando um lugar que nos agradasse e notamos que somente os primeiros lugares, do lado esquerdo, a contar do inicio do vagão, estavam invariavelmente desocupados.

Marinheiros de primeira viagem que éramos, mas desconfiados de tudo, e sem alternativas, ficamos em um desses lugares logo nos primeiros bancos, que alias davam mais espaço para as pernas.

O trem partiu. No primeiro tranco da partida, a porta da cabine que ficava bem a nossa frente se abriu, e descobrimos porque ninguém queria ficar naqueles lugares, e lembrei do velho ditado; laranja madura na beira da estrada, ta bichada Zé, ou tem marimbondo no pé.

A tal cabine era tão somente o banheiro, que pelo cheiro, não era limpo há semanas, motivo também da correria na baldeação: todo mundo sabia do cheiro; menos nós.

As fechaduras dos banheiros de todos os vagões estavam quebradas, de forma que as portas ficavam abrindo e fechando, conforme o movimento do trem. Não tinha como isolar aquele cheiro fechando a porta, e ainda não tinha como evitar o “beng- beng” do bater da porta, com o balanço do trem.

Alem do cheiro e das pancadas da porta, a viagem correu sem novidades, a não ser o fato de que, a cada parada nas Estações, mais gente entrava e entupia o trem. Era de madrugada, e tinha gente de pé nos corredores de tão lotada que ficou a composição.

No fim de cada vagão tinha uma espécie de varanda, local muito usado pelos fumantes pois era proibido fumar no trem, e toda hora passava um funcionário de uniforme azul para fiscalizar, ou os fumantes, ou as passagens, ou anotar algum pedido para o restaurante, ou ainda entregar o marmitex, já que o carro restaurante, não se sabe porque, não funcionava. Com o trem lotado, o povo comia em pé mesmo. Era um prato de arroz com feijão, farofa e frango, que quando caia no chão, sujava tudo de gordura e complicava ainda mais a limpeza daquele velho trem, desconfortável e sujo.

Era dezembro e o calor estava insuportável. Durante o dia a paisagem distraia, mas durante a noite com o trem cheio, a distração era olhar para a cara dos outros ou fingir que estava dormindo, já que dormir mesmo não dava.

Eram pessoas muito sofridas, tristes e com um comportamento às vezes estranho ou diferente do esperado, eram pessoas que não vemos no dia a dia, não por elas não existirem, mas por estarem escondidas na multidão. Nessas ocasiões é que percebemos a diversidade do povo brasileiro, povo moreno em sua maioria, com poucos brancos ou negros. Essa imagem da nossa gente, só se conhece viajando pelo interior do Brasil, um povo moreno como os Hindus, que não aparece na televisão, e portanto é como se não existisse, mas esse é o verdadeiro povo brasileiro. Só quem viajou pelo interior do Brasil, pode dizer que conhece seu povo, quem não viajou nem imagina. Quem não é moreno, seja da etnia que for, um dia será, claro que falamos da descendência. Um dia, seremos todos mestiços, da cor dos hindus.

Era noite, um calor infernal, e a maioria das janelas ficavam fechadas, ou por vontade do passageiro que não queria tomar vento, ou por defeito mesmo, por falta de manutenção, já que as estradas de ferro estavam se acabando, conforme a política vigente até os dias de hoje, para facilitar a vida da industria automobilística.

Mas, retornando a viagem, o calor é infernal naquela região e o que salvava era o vento do trem em movimento, mas quando o trem parava nas estações o vento sumia. Era mais gente que entrava e ninguém saia, parecia horário de pico em São Paulo, só que no meio do mato. O leitor pode estar achando que eu exagero na narrativa, mas é isso mesmo. No meio de mato a caminho de Campo Grande , duas horas da manhã, o trem lotado e um escuro de dar dó, parado no meio do nada, esperando o outro trem que vinha em sentido contrario, já que o trilho, só tem para uma via. Nós suávamos de bica.

Eu não agüentava mais aquele calor, alem do mais precisava mexer as pernas, pois já havia horas que eu estava sentado naquela poltrona desconfortável. Fui ate o fundo do trem, na tal da varanda, tomar um ar, apesar de correr o risco de perder o lugar, que o Waldir guardava. Nessas horas era preciso virar um Dobermann para convencer aos mais insistentes, que o lugar estava ocupado.

O trem continuava parado na mais completa escuridão a não ser por uma ou outra pequena luz, talvez de emergência que ficava acesa, mas não iluminava nada, apenas sinalizava sua posição. Fiquei ali na varanda fumando e me refrescando com o ar fresco, ouvindo o barulho da bicharada no mato e apreciando o céu estrelado, que pela escuridão da mata ficava mais estrelado ainda.

Havia no céu uma estrela maior que as outras, e que parecia se mexer de tão brilhante que era. Julguei ser Vênus, muitas vezes confundida com óvni, de tão grande que ela aparece no céu. Planeta ou estrela era só um detalhe diante de tanta beleza, dei a ultima tragada naquele cigarro , pensando nos bichos barulhentos da noite, quando as luzes luz se acenderam. Sinal que o trem ia partir, quando olhei novamente para o céu, Vênus havia desaparecido. Entrei rapidinho.

Meu lugar ainda estava lá, mas o povo já andava de olho, o Waldir respirou aliviado quando cheguei, e daí ele foi também tomar um ar. Não falei nada de que Vênus havia desaparecido; afinal ele iria dizer que foi o cigarro, e não foi. O cigarro era cigarro mesmo!

Foi pela manhã, lá pelas oito horas que chegamos a estação de Campo Grande, que como as demais estações, era velha e mal cuidada, só que essa era um pouquinho mais feia. Fizemos nova baldeação.

Como já não éramos mais marinheiros de primeira viagem, ficamos espertos e fizemos a baldeação na velocidade de uma bala. Nem era preciso, pois o trem estava praticamente vazio, com meia dúzia de gatos pingados.

Os banheiros cheiravam igual ou pior que a composição anterior, e esse trem era na verdade bem pior. Os bancos eram bancos de fato, de madeira ripada, daqueles que o encosto vira de frete para trás e de trás para frente, composição bem antiga do tempo dantão.

Logo depois da saída de Campo Grande, vimos um Tamanduá Bandeira enorme, correndo solitário pelo campo. Foi uma visão inesperada, e inesquecível dada à beleza do animal vivendo em liberdade.

Já estávamos chegando a uma das regiões mais bela do planeta, o Pantanal, e a viagem começava a valer.

O trem quase vazio, ia parando pelas pequenas estações de forma que podíamos com tranqüilidade apreciar o povo local, povo de fronteira, um pouco rude e com costumes estranhos para nos. Lembro de uma dessas paradas, que da janela vi uma cena que por muitos anos ficou na minha lembrança. Foi quando um homem de aspecto rude, e que estava na plataforma para tomar o trem , se despedia do amigo , dizendo que ia até a cidade mais próxima, buscar remédio para sua mulher que estava doente, e puxando um punhal da cintura, entregou ao amigo pedindo a este que cuidasse da sua família ate sua volta. O amigo pegou a arma, e com certo ar solene disse: vá tranqüilo que eu não dormirei enquanto você não voltar.

Essa imagem ficou por muito tempo na minha lembrança, marcada pela rudeza desse povo das fronteiras, talvez lembranças de um passado belicoso com os povos visinhos, coisa ainda nem tão distante no tempo, que mesmo sendo águas passadas, ainda estão na memória do inconsciente.

Chegamos em Corumbá de noitezinha com pouquíssima gente no trem. Apanhamos as nossas mochilas para pernoitar na cidade, pois ali já era fronteira com a Bolívia e precisávamos de passagens para continuar a viagem do outro lado.

Como a estação ferroviária era um pouco retirada da cidade, procuramos um táxi que nos levasse até um hotel, mas não vimos nada, tudo deserto. Procurei a ajuda de um funcionário da estação, que nos apontou uma carroça dizendo que aquele era o táxi. Não acreditei, mas era verdade.

Dissemos ao carroceiro que queríamos passar a noite na cidade, pois estávamos de viagem para a Bolívia, e queríamos um hotel, apenas por aquela noite. Muito bem, andou com aquele cavalo por dois quarteirões e já estávamos no hotel. Pagamos uma bela corrida.

Era um hotel simples, mas confortável, e próximo da estação de trem, de forma que estava de mão para o dia seguinte, para continuar a viagem.

Estávamos na recepção do hotel , preenchendo a fixa, quando o gerente pediu que colocássemos horários diferentes na chegada ao hotel, coisa estranha, mas depois ele justificou dizendo que como éramos estudantes e barbudos, se colocássemos na fixa que chegamos no hotel juntos, no dia seguinte estaríamos presos, confundidos com querrilheiros.

Ficamos preocupados, aquele hotel era mesmo estranho, mas para uma noite servia. Havíamos combinado que logo pela manhã cairíamos fora, até que tivemos boa conversa com o gerente do hotel, que nos assegurou que se tentássemos tomar o trem para Santa Cruz, sem visto, seriamos presos no meio do caminho, já que policiais federais brasileiros e bolivianos viajavam no trem a procura de subversivos, qualificação muito comum naquele tempo, usada pelas autoridades para extorquir os cidadãos.

Informara ainda que a historia de se viajar só com a carteira de identidade, valia para bolivianos que vinham para o Brasil, mas não valia para brasileiros que iam para a Bolívia, tudo dependendo do governo que estava no poder.

Fomos até a Capitania dos Portos tentar uma autorização, que seria um tipo de Salvo Conduto, um tipo de quebra-galho, para que pelo menos pudéssemos chegar a Santa Cruz, sem sermos incomodados, ou se fossemos, teríamos algum documento para apresentar, tanto para uma policia, quanto para a outra.

Em vão, não conseguimos nada, talvez por causa da barba comprida, pois fomos muito mal atendidos pelos militares que ali estavam, já que era comum fornecerem essa autorização provisória, segundo os moradores do lugar. Essa vida de marinheiro de primeira viagem é triste. Para nós era o fim da linha.

Diante dos imprevistos, acabamos ficando naquele hotel estranho mesmo, já que fizéramos amizade com o Gerente, que descobrimos depois, era amante da dona do Hotel e amigão do marido dela, que também trabalhava lá pelo hotel, fazendo não lembro o que. Tiramos o dia para descansar e conhecer a cidade.

Corumbá é mesmo uma cidade muito quente, a temperatura às vezes beira e até passa os quarenta graus. Nos restaurantes e nos cafés, se servia primeiramente, pedisse ou não, água gelada em jarras enormes, que de tempos em tempos, eram trocadas por outras, já que perdiam o gelo muito de modo muito rápido.

Cerveja gelada saia do frízer, e tinha que ser bebida imediatamente, senão esquentava,

Apesar do calor, fumante que eu era, resolvi tomar um cafezinho antes do cigarro e entramos em uma dessas casas de café.

Achei que tinha errado a porta e entrado em alguma sorveteria. As paredes e o balcão eram de mármore ou granito, dando a impressão de estarmos em uma daquelas sorveterias antigas. Serviam nos balcões,as tais jarras de água gelada com copos igualmente enormes. Pedi o café, fumei meu cigarro e tomei a água gelada antes de ir embora e sair de novo naquele sol de matar.

O calor era tanto que para se tomar um cafezinho, primeiro tomava-se um copo de água gelada e só depois se tomava o café, alguns tomavam outro copo de água gelada depois do café.

No hotel, principalmente no restaurante, e durante o jantar, é que era possível observar a movimentação dos outros hospedes.Tão estranhos quanto o hotel,os hospedes estavam sempre cochichando às mesas, olhando de lado, sempre com ar desconfiado, principalmente na nossa presença. Acho que os estranhos nessa historia éramos eu e o Waldir.

No dia seguinte, fizemos um passeio de ônibus até Puerto Suarez, na Bolívia, para fazermos compras. Um

ônibus partia ali do centro de Corumbá, passava pela Aduaneira e parava em Puerto Suarez. Cidade pequena que mais parecia um vilarejo.

A Aduaneira, como era chamada, era provavelmente um posto do Exercito, já que pelo uniforme que usavam, pelas armas que carregavam e pela educação que tinham,não poderia ser outra coisa. Ameaçavam todo mundo, primeiro pedindo documentos de um e de outro, e os nossos evidentemente, alem de nos encheram de perguntas. Só não fomos presos, porque não por acaso, levamos nossas carteiras profissionais, que serviu para mostrar que não éramos apenas estudantes.

Nessa época estudante, comunista e guerrilheiro era tudo a mesma coisa, para o exercito naturalmente. Depois de checados os documentos e feito o interrogatório, ameaçavam prender quem comprasse produtos brasileiros, como camisetas, calças, sapatos e sei lá mais o que, já que no retorno o ônibus haveria uma revista geral.

Seguimos viagem por aquela estrada de terra , e dois quilômetros pra frente, passamos pela fiscalização Boliviana. Era um quiosque de sapé, com um único soldado, que sentado sobre uma cerca de mourões, acenava para nós dando um tchau. O motorista acelerou, e sumimos por entre as curvas da estrada barrenta, parando somente no nosso destino. Ainda era de manhã.

Era uma única rua , enlameada, que acabava em um rio, de forma que tínhamos que andar pelas calçadas, feitas de madeira, como nos filmes sobre o Velho Oeste. As lojas também eram de madeira e muito mal cuidadas, algumas nem pitadas eram. Nas vitrines, relógios Rolex, maquinas fotográficas e bebidas estrangeiras, faziam um contraste indescritível com o lugar.

Entramos em um bar e pedimos uma cerveja, afinal era preciso comemorar, não foi como queríamos, mas estávamos na Bolívia, e para caprichar pedimos uma cerveja boliviana; nem cachaça pura era tão ruim, e ainda estava sem gelo. Não deu para tomar.

Por fim compramos artesanato indígena e voltamos para o ônibus, pois era impossível andar pelas lojas, não pelo excesso de gente, mas pelo excesso de barro.

Voltamos para Corumbá, já á tarde, lá pelas quatro horas. O soldado Boliviano já tinha ido embora, a aduana no Brasil realmente revistou os passageiros, e liberou todo mundo e a viagem terminou sem sobressaltos.

Acho que por causa dos atropelos da viagem , os imprevistos, e o fato de estar longe da família, não havíamos percebido que os dias haviam se passado rapidamente e já era véspera de natal. Não podíamos seguir viagem sem os vistos e não havia tempo de retornar, para passar o natal em casa. Resolvemos passar o Natal no Hotel.

Como a essa altura, nos éramos os únicos hospedes no hotel, acabamos sendo convidados para a ceia de Natal, que seria promovida pela dona do hotel, cujo nome não lembro mais. Mas como nada na vida é de graça, havia uma condição a cumprir : teríamos que entregar a chave do quarto na recepção enquanto as meninas estivessem no hotel. Meninas?

Aconteceu um impasse. A ceia era uma coisa familiar e nada tinha a haver com os hospedes Hotel e como eles podiam colocar a gente para fora, resolveram nos convidar para ceia, desde que nos comportássemos, já que as meninas eram as filhas da dona do hotel.

Fiquei muito impressionado com aquela mulher, que me parecia uma bruxa mandona, pouco incomodada com o pobre marido, sempre chamando sua atenção, mesmo na presença dos hospedes, mal encarada e pouco ligando para as palavras. Tinha lá seus 48 anos, altura mediana, meio gorda, e com um andar que mais parecia uma pata indo para a lagoa. Quem acreditaria que essa megera, havia adotado crianças pobres, as quais cuidava com tanto zelo, que chamava de filhas, tendo pedido que mantivéssemos a porta do nosso quarto trancado, e com a chave entregue ao gerente. Quanto zelo.

É bom ter cuidado mesmo, afinal nesse mundo em que se vive, não podemos confiar em ninguém, ainda mais em se tratando de meninas.

Nós não sabíamos, mas já imaginávamos, e tudo foi confidenciado a nós mais tarde, por algum funcionário do hotel. É que aquela zelosa Senhora, também era dona de uma boate e que as meninas, a quem ela carinhosamente chamava de filhinhas, eram as garotas de programa, que também carinhosamente, chamavam a rufiona de mãezinha.

Certo é que pelas 22 horas, estávamos no restaurante do hotel de garfo e faca nas mãos, e rodeados pelas meninas. Chegaram em fila indiana, e todos nós sentamos, cada qual na sua posição, sempre seguindo as orientações e ordens do general de saias. Nem o marido, nem o gerente, tinham coragem sequer de levantar os olhos.

Havia no meio do restaurante, uma mesa enorme para vinte ou pessoas ou mais. Na ponta direita estava a Bruxa com um enorme porco assado à sua frente, daqueles com maçã na boca, depois tínhamos risoto, peru, macarrão, frutas e etc.

O champanha, de cidra, não podia faltar, alem do vinho tinto doce de garrafão e o refrigerante, tudo muito bem gelado, afinal aquele calor infernal também entrava pela noite e não dava trégua.

Para nossa sorte ou azar, ficamos no meio da mesa, rodeados pelas moçoilas, e muito bem vigiados, não dava nem para respirar. Estávamos incomodados com aquela situação, pois éramos o centro das atenções, os estranhos do lugar.

Toda noite, lá pelas 23 horas havia corte de energia, e naquela noite não foi diferente. Ao primeiro sinal de escuridão, a matrona completamente bêbada, de facão em punho, gritou que o primeiro Filho da Puta que saísse da mesa iria morrer. Deu ordem para que trouxessem as velas, que rapidamente foram acessas e colocados sobre a mesa.

Com a enorme faca de cortar o porco, ela ameaçava para que ninguém fosse para o corredor que dava acesso aos quartos, e aos palavrões dava ordens ao marido que obedecia resignadamente. Ninguém tinha coragem de contrariar suas ordens, nem o marido, nem o gerente amante, nem as meninas e nem nos, que não somos tatu.

Ficamos ali na mesa aterrorizados olhando para aquela figura bêbada, de facão em punho, iluminada pelas velas da mesa, imóvel feito uma estatua, olhando para nossa cara e babando. Tudo gente fina!

Demorou, mas a luz chegou e alguem logo colocou um disco para tocar e o baile começou, claro, com a autorização necessária. Foi mesmo um alivio e logo fui para fora, e fiquei lá na calçada do hotel tomando uma fresca, já que eu estava molhado de suor, não sei se pelo calor que fazia, ou pelo facão. O Waldir chegou logo depois de mim, pois não agüentava mais ficar ouvindo Odair José, Valdique Soriano e outros, sem falar nas guaranias.

Ali mesmo na calçada combinamos de voltar para casa logo pela manhã. Estávamos preocupados, com aquela situação, longe de casa, num hotel suspeito, com uma dona suspeita, com um gerente estranho, sem falar nas figuras que apareciam lá pelo hotel, que chegavam cochichavam e iam embora, e que também não nos faltou oferta de droga, que por lá, era coisa normal.

Se não conseguíssemos um trem para São Paulo, pegaríamos um ônibus cuja viagem era mais rápida, mas de qualquer forma iríamos embora, ou em ultimo caso mudaríamos de hotel. Fomos dormir e não vimos as meninas irem embora.

Pela manhã, bem cedo, pedimos para fechar a nossa conta. Agradecemos a hospitalidade e a ceia da noite passada, e nos mandamos o mais rápido possível para a estação de trem, que para nossa surpresa tinha o trem que queríamos e já estava de saída. A sorte voltou!

A volta foi muito diferente, pois pouca gente estava viajando, como é de se esperar para o dia de Natal. As pessoas sempre viajam antes ou depois, mas no dia de Natal, só os perdidos como nós.

O trem seguia pachorrento seu caminho, parava nas estações, mas era pouco o movimento de passageiros. Estávamos ansiosos paras chegar em casa, e a pouca velocidade do trem que foi uma benção na ida, se tornara um inferno na volta.

Só chegamos a Campo Grande á noite e não agüentávamos mais viajar de trem, pelo menos faríamos uma baldeação e tocaríamos o trem, já era alguma coisa.

Seria mais um dia inteiro de viagem, e esse pensamento tortuoso deu uma idéia ao Waldir. A estação rodoviária era ali próxima, já sabíamos, e a baldeação levaria ainda 10 minutos.

De mochila nas costas corremos para a estação rodoviária, para ver se tinha ônibus naquele momento para Sampa, caso contrario voltaríamos a tempo de pegar o trem na baldeação.

Era noite e erramos o caminho para a rodoviária perdendo um tempo danado. Provavelmente o trem já tinha partido e começou a bater o desespero. Por fim estávamos bem de frente à estação rodoviária, e a sorte ainda bafejava para nós. Conseguimos passagens para o ônibus, que alias estava de saída, de modo que não perdemos tempo nenhum, e ganharíamos 12 horas de viagem. Dito e feito.

Lar doce lar, passei 3 dias sem sair de casa, nem na esquina eu fui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Saiu o Sol, mas só de leve


A chuva parou e o sol saiu agora pela manhã.
Deu para caminhar um pouco pela praia e matar a saudade. Já faz quase um mês que chove direto.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma vez criança, sempre criança



Quando era criança, lá pelos cinco anos, ganhei de aniversario uma bicicleta de duas rodas, que para mim, era igualzinha a do meu tio, uma Peugeot, semiprofissional, linda, azul claro, que comprara de segunda mão de um corredor profissional, mas muito bem conservada. Um sonho de bicicleta, que mesmo nos anos seguintes, continuou nova na mão dele, apesar de usa-la constantemente.
Com muito custo, aprendi a andar na minha bicicleta, que veio com aquelas rodinhas de apoio, que eu já insistia para que meu pai tirasse, porem não havia meio de convence-lo.
Depois de algum tempo de muita insistência, ele concordou , e esse foi o meu passaporte para sair à rua. Foi meu tio quem me convidou para passear de bicicleta com seus amigos ciclistas, que todo final de semana saiam para pedalar pelas redondezas.
Fique muito orgulho por ter recebido o convite, apesar de ter achado o passeio muito rápido. Sabe como é criança, ganha a mão e quer o braço.
A minha paixão por bicicletas nasceu nesse dia e nunca mais consegui viver sem pedalar, mas é bom que se diga, sempre nas bicicletas dos outros, já eu nunca conseguia ter a minha.
A primeira que ganhei de aniversario, depois foi desmontada pelo meu pai, já que eu sumia pelas ruas com ela. Um dia sai de manhã, sem avisar ou pedir autorização, e voltei horas depois, já bem á tarde no finzinho do dia. Essa foi a gota d’água.
Alguns anos depois, ainda criança, começo de adolescência, resolvi com meu dinheirinho, montar minha própria bicicleta, já que devido aos fatos passados, eu não conseguia mesmo convencer o meu pai a me comprar uma.
Passei a freqüentar o Ferro Velho e as bicicletarias do bairro, sempre a procura uma ou outra peça sucatada que eu pudesse aproveitar. Assim no decorrer de um tempo, consegui juntar quase todas as peças necessárias. De inicio, ninguém acreditou que eu iria conseguir o meu objetivo, pouco dinheiro, ainda criança, e eu fui tocando o assunto pra frente.
Precisei dos serviços de uma bicicletaria para montar as rodas e o freio traseiro já que o dianteiro ainda não havia achado. Sempre contava com os amigos, que ajudavam em alguma coisa, um sabia pintar e dava as dicas, o outro montava os pneus, e assim a bicicleta ficou pronta. Exatamente pronta não estava, mas já dava para pedalar.
Que alegria. No primeiro dia sai de manhã e voltei á noite, junto com mais dois amigos, que possivelmente também tomaram uma bronca quando chegaram em casa.
Estávamos de férias na escola, pois ainda me lembro que passamos a semana passeando de bicicleta, todos os dias, o dia inteiro, só parávamos para almoçar, e dar uma passadinha em casa para falar oi, senão o bicho pegava.
A bicicleta era mesmo uma beleza, pintada de vermelho com um velho pincel, com detalhes em branco, verdadeiros borrões, com os pneus e os pedais, um diferente do outro, breque só mesmo o traseiro, o selim era velho de dar dó, mas não importava, era a minha bicicleta.
As férias se acabaram e a bicicleta ficou encostada, nos fundos de casa por alguns dias, talvez semanas, não me lembro, mas é certo que quando fui procura-la, não achei nem sinal. Tinham dado a minha bicicleta para alguem. De novo, depois de tantos anos, perdi mais uma bicicleta. Paciência, e o tempo passou.
Ai pelos anos 70 eu já era moço, e o assunto bicicleta voltou a chamar a atenção. Foi nessa época em que lançaram a famosa Caloi 10, bicicleta que marcou época, ainda sendo cultuada até hoje, e considerada uma das melhores fabricadas por aqui até hoje.
Mas com meus 20 anos, as minhas preocupações não eram bem as bicicletas, eu trabalhava e estudava e o meu tempo vago, saia com os amigos para os bailes nos clubes, festas da cerveja, que eram muitas naquela época, de modo que a Caloi 10 ficou em segundo plano por muito tempo, apesar de continuar fã do ciclismo, esporte que tinha ainda muitos adeptos.
Sempre apareciam noticias de corridas na França, Itália e etc. Tinha, em São Paulo, uma corrida muito famosa, hoje nem tanto, chamada 9 de julho que se dava pelas ruas da cidade, mas agora parece que foi para circuito fechado, perdendo muito do seu brilho.
O próprio ciclismo no decorrer dos anos foi perdendo força no Brasil, que com as cidades crescendo, e o transito cada vez mais perigoso, foi fatalmente desestimulando o uso das doces magrelas, companheiras fieis da nossa infância. Para nossa alegria, a chegada providencial dessa onda de pensamentos verdes, propagando idéias de conservação do meio ambiente, o ciclismo está voltando com tudo. De irmão mais pobre do transporte urbano, virou alternativa ecológica de transporte nas grandes cidades, faltando apenas mais atenção do Estado, para a construção de ciclovias, algo impensável anos atrás.
Essa idéia ecológica que nos trás de volta o ciclismo, é claro, mexe com os brios, principalmente, de quem já é aficionado pelo assunto, e depois de tanto anos, fui de novo, montar a minha bicicleta. Desta vez uma Caloi 10, que na minha mocidade deixei passar batido, e agora depois de tantos anos que saiu de fabricação, quero minha Caloi 10.
Comecei garimpado as bicicletarias próximas de casa, depois outras pelo caminho do trabalho, finalmente bicicletarias de outras cidades que eu acaso visitava, a trabalho ou a passeio.
Foi muito difícil encontrar algo que se aproveitasse e tivesse bom preço. Acabei encontrando uma bicicleta por um preço razoável. Dela eu aproveitei o que pude, o quadro, a catraca de cinco marchas, o cubo dianteiro Shimano de flange alta e o cambio dianteiro, peças originais e em bom estado. Pelas dificuldades, já dava para imaginar que não seria fácil a tarefa de montar uma Caloi original, como eu queria. Continuei no garimpo.
A parte mais interessante de se garimpar para achar as peças, é sem duvida as pessoas que se acaba conhecendo. É gente que obviamente , de alguma forma, está envolvida com o assunto, e ai você descobre que não é o ultimo da espécie em extinção, e que para se conhecer novas pessoas, basta ter os mesmos interesses. Não ha timidez que resista quando as pessoas descobrem que seus interesses são os mesmos.
Conheci pessoas que jamais esquecerei, me orientaram, ajudaram como puderam na minha empreitada, até peças difíceis como o cambio traseiro novo, eu consegui, e de presente. Contudo no garimpo nem sempre temos rosas no caminho, e para conseguir os breques originais, cujo preço o sujeito queria um absurdo, tive que comprar outra bicicleta para desmontar, só para aproveita os freios.Verdade que comprei a preço de banana, o que me possibilitou montar, de lambuja, uma segunda Caloi 10, com as peças que sobraram, que obviamente não ficou original como a primeira.
Algumas peças não são mais fabricadas e são difíceis de se encontrar, quando se encontra são usadas ou recuperadas e custam um bom dinheiro devido à raridade. Por isso é preciso garimpar, às vezes, comprar uma bicicleta inteira sai mais barato que a peça que se necessita.
Fiz muitos amigos e aproveitei muito do meu tempo livre. Bicicleta é mesmo uma cachaça, só não gosta quem não conhece.
Faltava ainda o cubo traseiro, difícil de se achar já que ele é o que mais quebra, quando se pegam buracos, e acabei encontrando no lugar que eu menos imaginava, na bicicletaria mais perto da minha casa. Foi ai mesmo que mandei montar as rodas, com raios de aço inox, e o restante da bicicleta com os cabos de aço e tudo mais.
O fundamental para a originalidade da bicicleta eu já tinha, que eram os câmbios, dianteiro e traseiro, o quadro que apesar ser de aço carbono, mais pesado, é o original, os freios de alumínio marca Dia Compe, e o cachimbo que segura o guidão, da mesma marca.
O restante das peças, troquei por outras, para deixar a magrela um pouco mais leve, que é o desejável nessas bicicletas tipo speed. Assim troquei o guidão, o pé de vela, os aros e os pedais, por peças novas de alumínio, o que não tirou o seu charme, pelo contrario, valorizou o que já era bonito. Quando a bicicleta foi para a montagem, a pintura já estava pronta, serviço que eu mesmo fiz em casa, com a ajuda de um pequeno compressor e um resto de tinta automobilística, que estava guardada há anos no armário de tralhas.
A bicicleta ficou linda, e logo acertei as regulagens necessárias como altura do selim, distancia do guidão, e fui. Feito uma criança com seu brinquedo novo.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ovni fotografado na região de Sorocaba



OVNI é fotografado na Fazenda Ipanema, em Iperó (SP)

Um Objeto Voador Não-Identificado (OVNI) tem sobrevoado o Morro Araçoyaba, na Floresta Nacional de Ipanema (Flona), causando surpresa e perplexidade nos funcionários da reserva ambiental localizada em Iperó. A mais recente visão ocorreu na noite de sábado (14/07/2001) quando dois integrantes da brigada de incêndio da Flona estavam trabalhando numa das torres de observação da floresta.

Os brigadistas e guias Márcio Antônio Rosa e Jackson Siqueira Campolim relatam que se não estivessem juntos naquele momento, não iriam acreditar no que viram. "Foi adrenalina pura e ainda bem que não foi só eu que vi", resumiu Jackson ao falar sobre a "estranha luz" que surgiu do meio da floresta, junto ao lendário morro. O objeto voador realizou uma série de "loopings" no céu.

A penúltima aparição do OVNI ocorreu há um mês. Naquela noite, o estranho objeto não só foi visto como fotografado. O Cruzeiro do Sul obteve, com exclusividade, quatro fotografias tiradas por Fernando José Medeiros, que também integra a brigada de incêndio da reserva.

A luz fotografada provavelmente surgiu de uma encosta do morro. Ao mesmo tempo em que permanecia por alguns segundos parada no ar, sem emitir qualquer ruído, de repente se movia e dava rápidos "loopings", indo de um local para outro.

Uma fotografia registrou o momento em que o objeto estava parado, mas três outras flagraram os seus loopings Mostram, por isso, o rastro de luminosidade devido ao movimento rápido no céu, captado no momento da fotografia.

Os brigadistas Márcio Antonio Rosa e Jackson Siqueira Campolim relatam que o estranho objeto luminoso que viram no último sábado parecia ter surgido de dentro do morro, mais precisamente de uma imensa fenda existente na formação geológica mais conhecida da região de Sorocaba, o Morro de Ipanema.

"Aquela luz subiu do lado sul, parecia ter saído de dentro do morro, vindo na direção da nossa torre de observação, localizada na região leste. Permanecia parada, sem emitir qualquer barulho, mas por diversas vezes realizou 'loopings' no ar", contou Jackson.

Márcio Antônio Rosa detalha que o objeto pôde ser visto por alguns minutos apenas. "Por um instante pensei que aquela luz estava nos observando. Em determinado momento, a sua luminosidade bem clara se desfez como uma cascata de luzes e permaneceu apenas um ponto vermelho imóvel no céu. Ficou assim por alguns instantes até descer em direção ao mesmo local de onde havia subido. Ao cair junto ao morro, passou a emitir clarões. Pareciam flashes de máquina fotográfica até ficar sem bateria", diz Márcio.

Tanto Jackson como Márcio fazem questão de insistir que o objeto teria surgido do meio de uma fenda natural existente no morro de Ipanema. "Sobre esta fenda passa o Trópico de Capricórnio", acrescentam.

Esta não é a primeira vez que ocorre um fato do gênero envolvendo o morro da antiga Ipanema. Há questão de dois anos alguns enormes círculos surgiram estampados no mato rasteiro em uma área do topo do morro, próxima da Jazida Ipanema da empresa cimenteira Holdercim. O capim de dentro dos círculos foi totalmente queimado e por um bom tempo não renasceu ali.

Quem conta isso é o engenheiro agrônomo Oscar Willmersdorf, chefe da fiscalização da Flona de Ipanema, que disse ter visto com os próprios olhos os estranhos círculos. O fato, no entanto, foi mantido em sigilo até agora, mas Oscar disse que uma equipe de especialistas em ufologia esteve na ocasião vistoriando a área. "O curioso de tudo é que por meses os círculos permaneceram sem que tivesse nascido qualquer planta dentro deles", detalha Oscar.

Antigos moradores da região de Ipanema acham perfeitamente possível que "objetos voadores" estejam rondando o morro e as matas da histórica fazenda. Esta não seria a primeira e não vai ser a última vez que isso ocorre por lá, dizem. Porém, não concordam que possa ser algo ligado a extraterrestres. Acham que pode ser mais um fenômeno natural. Talvez até relacionado a uma segunda dimensão, perfeitamente explicável no âmbito da espiritualidade e da parapsicologia.

Um velho morador, que pediu para não ser identificado, recorda, por exemplo, que os rituais indígenas sempre estiveram apoiados nos chamados espíritos da natureza. E que o morro de Ipanema, recheado de minérios, é (e sempre será) enigmático, possuindo energia suficiente para provocar isso que os funcionários da Flona juram estar vendo.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

PS: veja as tambem as postagens: "uma madrugada para não ser esquecida "e "Ovnis em Sorocaba; de novo"




Óvnis em Sorocaba; de novo!


Ufólogos relembram a visita de ÓVNIS em 79.
Notícia publicada na edição de 10/01/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul.

· EMÍDIO MARQUES Ufólogo Jorge Facury falou sobre as aparições em Sorocaba, há 30 anos.


Num encontro amistoso, aficionados por ufologia reviveram os fatos marcantes da madrugada do dia 8 de janeiro de 1979, quando supostamente Objetos Voadores Não-Identificados (ÓVNIS) foram vistos nos céus de Sorocaba, nas proximidades do Morro da Marrequinha. Naquele dia, por volta das 3h30, o mecânico Sérgio Pregnoletto relatava à Polícia Militar a experiência que estava vivendo: vindo do centro da cidade em direção ao bairro dos Morros, ele contou que estava sendo perseguido por uma luz misteriosa. Diz a história que os PMs começaram a verificar a ocorrência e também viram o objeto não-identificado.

Organizado pelo ufólogo e pesquisador Jorge Facury, o encontro foi realizado ontem à noite, no Gabinete de Leitura Sorocabano (GLS), para discutir, conversar e refletir sobre os 30 anos das aparições dos ÓVNIS.

Estudioso da Ufologia desde os 16 anos de idade, Facury hoje é membro do conselho editorial da Revista Ufo. Para ele, independente da aparição ou não de um OVNI, os fatos que marcaram o início de 79 na cidade entraram para a história. No primeiro dia, a situação era traumatizante. No segundo dia, algumas pessoas também disseram ter visto a aparição, lembrou.

comentários:

· Patinho Branco, [ 11/06/2009 ]

De fato, ocorreram diversos avistamentos de óvnis por essa época ai em Sorocaba. Estive presente em um dos avistamentos onde também estiveram centenas de pessoas, jornalistas, tvs, militares aos montes, motoqueiros embrenhando pela mata em Araçoiaba.

 Apesar da espetacular aparição de dois óvnis, chegando muito próximo das pessoas, com manobras assustadoras, a mídia sequer dedicou uma só linha para noticiar o ocorrido. Até pelo contrario, quando davam a noticia era para redicularizar. O  mais importante noticiário da TV, daquela importante emissora, disse o seguinte:" milhares de pessoas se dirigiram a Sorocaba para ver o tal disco voador e saíram de lá decepcionadas pois nada aconteceu”. Boa noite!
Assim laconicamente, e com essa cara de pau, o telejornal das sete horas foi encerrado. Fiquei indignado pois nesse momento descobri o quanto somos enganados e manipulados na segurança dos nossos próprios lares, no simples ato de assistir televisão.

Descobrir que a manipulação da informação é real me deu outra visão sobre os meios de comunicação de massa. O tempo me permitiu ver como é importante e verdadeiro o fenômeno ovni. Resta saber o que é que eles querem nos revelar, e que algumas pessoas ou organizações não querem que saibamos.

Patinho branco, quinta feira, 11 de junho de 2009.


PS : veja essa historia completa, na postagem " Disco Voador em Sorocaba. Foi Show! "

Outros textos neste Blog sobre Disco Voador: 
 -  Não fomos os unicos.
Ovni fotografado na região de Sorocaba

terça-feira, 7 de julho de 2009

Berinjela refogada



Fica muito bom e não da muito trabalho apesar de que é preciso preparar a berinjela um pouco antes, como veremos a seguir.Vale a pena fazer o prato, que gelado e mais condimentado com pão, pode acompanhar um churrasco ,enquanto se acende a churrasqueira, ou mesmo durante.


Ingredientes

2 berinjelas em cubinhos
2 ovos cozidos e picados
1 tomate em rodelas
1 cebola em rodelas
azeitonas verdes em rodelas
1 linguiça calabresa cortada em cubinhos
1/2 xícara de bacon picado
salsinha e cebolinha
pimenta do reino
sal a gosto

Modo de preparar:



Corte cada berinjelas em 3 fatias longitudinais e passe sal de para tirar a água. Deixe descansar por 10 minutos e lave para tirar o sal, corte em cubinhos.
Em uma caçarola coloque um pouco de óleo, e frite o bacon e a linguiça. Depois acrescente as berinjelas, a cebola e o tomate. Mexa até refogar. Sal e pimenta do reino a gosto.
Decore com as azeitonas, a salsinha e cebolinha e os ovos. Está pronto.

O Rei do Abacaxi



Lá pelos anos cinqüenta, muitas empresas multinacionais se instalaram no Brasil, meio que no imprevisto, na base da correria, tentando se adaptar o mais rápido possível ao novo ambiente. Sem mais nem menos, do dia para a noite já estavam, funcionando mesmo que precariamente. Havia é evidente falta de mão de obra capaz ou especializada, de forma que as empresas iam contratando às correrias e sem muito critério.Tudo em matéria de mão de obra na industria era novidade, cargos e profissões que nunca se ouvira até então falar. Todos precisavam de treinamento por parte das empresas, que sempre traziam muita gente dos seus paises de origem, justamente para isso. Via de regra os funcionários estrangeiros, ocupavam cargos de chefia, ou postos chaves na empresa e assim os funcionários aqui contratados, eram treinados e supervisionados.
Havia dificuldade para se contratar gente até para as funções mais simples, faxineiros não havia, nem torneiros, nem mecânicos ou eletricistas. Ferramenteiros nem pensar. Mas havia cargos que evidentemente não implicavam em uma profissão e ai se enquadrava o nosso personagem: mão de obra desqualificada, mas necessária.

Waldemar , homem de seus trinta e cinco anos, de estatura pequena, magro que como tantos vinham para São Paulo no velho e conhecido, Pau de Arara, meio de transporte muito usado por esses anos e depois tambem, para o transporte de nordestinos para o sul do país.
Waldemar fora contratado, não se sabe os detalhes, para cuidar do relógio de ponto de uma fabrica que acabara de se instalar no país. Os poucos funcionários, talvez quinze no escritório e não mais que oitenta na fabrica, davam conta da pequena produção inicial.
Waldemar, homem sofrido com a vida dura do sertão, não sabia ler nem escrever. Apegou-se àquele emprego como quem se apega a o ultimo fio de vida. Vigiava aquela chapeira onde ficavam os cartões de ponto como um perdigueiro, que vigia sua presa, cuidando para ninguém marcasse o cartão de outra pessoa, pois a malandragem nunca saiu de moda. Era comum alguém marcar o cartão de um amigo que faltou, de modo a que este, é claro, não ficasse com falta. O nosso personagem, não se cansava, tinha olhos de águia, vigiava o pessoal, cuidava para que o relógio de ponto estivesse sempre com o horário correto, não descansava.
Durante o passar dos anos, a produção foi aumentando, e a contratação de empregados na fabrica, também aumentava. Por conta disso o Waldemar já ha tempos, tinha outra atribuição, tocar pontualmente o apito da fabrica, de modo a controlar os horários de entrada e saída no trabalho, o horário do café de cada seção individualmente;pela manhã e pela tarde e controlar a entrada e saída do almoço. Não era pouco.
A quantidade de relógios de ponto já havia aumentado para quatro, ficando eles estrategicamente colocados em um corredor, um tanto estreito, para acesso dos empregados aos relógios, aos banheiros, e ao refeitório.

O apito também ficava no corredor ao lado dos relógios, de forma que dali era possível vigiar e controlar quem ia ao banheiro e quanto tempo ficava, se alguém ia tomar café fora do horário da seção, enfim, esse era o lugar, o reino do Waldemar.

Durante mais de dez anos essa foi a sua vida, ele nunca esmoreceu, parecia um oficial da SS, não falava com ninguém, e quando o fazia era para chamar a atenção desse ou daquele empregado, mais desatento ou indisciplinado e se não fosse respeitado o fim era o departamento pessoal.

Nunca faltou um só dia, nunca ficou doente, era simplesmente exemplar, lutava pela empresas com se ela fosse a única razão de sua vida, e que de fato era.

Um dia, o gerente do departamento pessoal, se aposentou. Ao se despedir de Waldemar, funcionário exemplar de tantos anos, depois de um abraço de gratidão, seu chefe tirou o relógio do pulso e deu ao amigo em reconhecimento á sua dedicação .
Chegou o novo gerente contratado, cheio de idéias, esse sim já um profissional dos novos tempos. Com curso superior como exigia o cargo, falava inglês fluentemente, como convinha a um gerente, muito diferente daquele que estava sendo substituido.
Valdemar continuava seu trabalho, sempre com afinco, quando um dia no final do expediente foi chamado pelo novo gerente, sendo logo informado que diante as novas diretrizes da empresa, para a função de tocador de apito havia a necessidade de um mínimo de escolaridade e ele não se enquadrava exatamente no perfil necessário para o cargo. Estava despedido.
O mundo demorou e desabou sobre o Waldemar, nada mais tinha sentido, pensava nos relógios, nas pessoas indo para o almoço, voltando do café. Não demorou a entrar em depressão, e foi um drama, mas assim como veio a dor, ela se foi. O tempo cicatriza tudo.
O nosso personagem bem que procurou outro emprego, mas em vão, alem de analfabeto, já devia estar com mais de quarenta anos, dois atributos de uma mão de obra que não interessava às empresas. Para ganhar algum dinheiro, foi como se diz, marretar. Trabalhar de ambulante que era o que fazia, quem não tinha emprego.
Naquela epoca, muito diferente de hoje, havia muitos terrenos vazios, grandes areas desocupadas, muitas do proprio governo, ou em litigio na justiça, de modo que essas areas eram ocupadas pela população para laser, e via de regra era para a pratica de futebol.
Eram muitos os campos de futebol, uns apos o outro, locais onde nos finais de semana ferviam de gente, ou para jogar, ou para se distrair, ver os amigos, enfim, passear.

Cada vila tinha seu time formado, cada paróquia também com a benção do padre, cada fabrica também tinha seu time, e cada time com seu fardamento colorido, que nada mais era como se chamava o uniforme naquela época. Era um espetáculo de cores, os campos de futebol eram tão próximos um do outro que todo aquele colorido dos uniformes formavam um caleidoscópio gigantesco.
Todo final de semana Waldemar acordava bem cedinho, pegava um carrinho de mão, e ia para a várzea onde estava a maioria dos campos de futebol. Descascava abacaxis que vendia em fatias, ia passando ao lado dos jogadores e das torcidas oferecendo a fruta que veio diretamente da fazenda, alardeava ele, e seguia vendendo seus abacaxis, de forma que no fim do dia, ele voltava para casa de carrinho vazio.
Com a mesma tenacidade com que tocou o apito da fabrica, por tantos anos, agora ele vendia abacaxis, e se no inicio teve dificuldade, se sentiu constrangido ou mesmo incomodado, agora já se habituara.
Diferentemente de antes, agora ele descobriu que podia se dar com as pessoas, fazer amigos, coisa que nunca havia acontecido na fabrica. Aonde ele chegava era saudado pelas pessoas, que logo se achegavam, e o carrinho ficava vazio cada vez mais rápido. Não demorou e a família também entrou no negocio e assim as coisas foram caminhando e crescendo.
Uns anos depois, Waldemar já era conhecido como o rei do abacaxi, comprou um caminhão, que seu filho dirigia, e construiu um galpão onde vendia frutas em geral a preços mais cômodos para os vendedores ambulantes da região.
Hoje ele é um prospero comerciante, mora em uma bela casa e tem muitos funcionários. Comenta com muito orgulho que todos os seus filhos são formados, e dá uma importância muito grande aos estudos.
Vez por outra, ele olha para o passado e se lembra do lugarejo onde nasceu, lá no interior do nordeste, uma cidadezinha sem recursos, sem luz, sem água encanada e possivelmente sem escola até hoje.

Depois de alguns anos a fabrica, acabou sendo vendida, para cobrir prejuízos da Matriz em outros paises. A nova compradora, uma conceituada empresa do ramo de alimentação, estava investindo para abrir o leque de atuação no mercado e não perdeu tempo para reformular a estrutura de toda a fabrica,

Entre outras, uma das prioridades, foi substituir os funcionários velhos na empresa, por novos, mais gabaritados, com escolaridade mais adequada, dentro dos padrões e da nova realidade da sociedade brasileira, e evidentemente com “salários reduzidos”.

Depois de algum tempo a fabrica fechou, simplesmente por perda de tecnologia, pois eram os velhos que conheciam a fabrica, que sabiam detalhes do processo de produção, que conheciam os defeitos e as manhas das maquinas. Tentaram recontratar esses velhos empregados, mas já era tarde demais. Foi no chão de fabrica, que a fabrica morreu, pois perdeu o conhecimento e a técnica de fabricação. Recomeçar custava muito dinheiro, não compensava mais.

E o Waldemar? Está a beira da piscina, feliz, dando graças a Deus de não ter estudado.

Se soubesse ler e escrever, teria passado o resto da vida tocando o apito da fabrica, e por fim estaria desempregado e ferrado feito um peixe no anzol.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Salada de Legumes



A foto é de uma serie tirada das ruas de Paraty e seus casarões. Para quem não conhece Paraty, trata-se de uma cidade litorânea muito antiga, ainda do tempo em que o Brasil era colonia de Portugal.
Devido sua posição estratégica, era dai que se escoava o ouro garimpado nas Minas Geraes para a Europa.
A cachaça, bebida típica brasileira, também faz parte, fortemente, da cultura local.
Nas fazendas de Paraty ainda existem plantações de cana, matéria prima da cachaça, onde trabalharam os negros africanos, no tempo da escravidão, só abolida com a Lei Áurea em 1888.



Salada de legumes.

Uma salada não pode faltar. Por mais simples que ela seja, é sempre bem vinda. Essa receita vai bem com qualquer prato, mas foi feita especialmente para acompanhar peixe.


Ingredientes:

2 cebolas inteiras
2 ovos cozidos
um punhado de vagem
300g de batatinhas descascadas
1 cenoura descascada
salsinha e cebolinha
pimenta do reino
1 pitada de sal 

 
Modo de preparar:

Em uma panela com água e uma pitadinha de sal cozinhe os legumes. Fique de olho na batatinha, quando ela estiver pronta é porque tudo o mais está cozido. Deixe em água fria.
Fatie a cenoura e os ovos em rodelas. Corte a cebola ao meio no sentido longitudinal.
Prepare o prato em uma travessa, com os legumes agrupados e use as rodelas de ovos para decorar juntamente com cheiro verde e a pimenta do reino. A salada está pronta para ir à mesa, acompanhada de um bom azeite, uma pimentinha vermelha, vinagre, sal e uma cerveja bem gelada, alem do peixe, é claro. Uhuuu!

File de Peixe na Erva.

Na foto vemos a cidade litorânea de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, com
suas casas coloniais muito antigas, provavelmente do tempo da escravidão.
È muito comum encontrarmos pelo Brasil,  pinturas,
geralmente á óleo, retratando as estreitas ruas
de Paraty.
Encontra-se ai também uma Cachaça artesanal,
produzida com cana plantada ainda pelos escravos.
Vale também lembrar dos passeios de barco, com
lindas paisagens de diversas ilhas.

File de Peixe na Erva.


Ingredientes:

5 files de peixe da sua preferência
2 xícaras de farinha de trigo
5 dentes de alho esmagados
suco de 1 limão
5 folhinhas de manjericão picadas
3 folhas de louro
2 galhinhos de alecrim
pimenta do reino
sal
óleo



Modo de preparar:

Em uma travessa tempere os files com o sal, o alho esmagado, suco de limão, as folhas de manjericão bem picadas, o louro, as folhinhas do alecrim e a pimenta do reino. Deixe marinando por pelo menos 2 horas. A cada meia hora recolha o caldo do tempero e regue os files.
Em uma bandeja despeje a farinha a de trigo e coloque o file sobre a farinha, com cuidado para o alho esmagado e os demais temperos não saírem. Não vire o fila na bandeja, use uma colher para enfarinhar o lado de cima. Separe. Enfarinhe os outros files.
Frite com óleo bem quente até dourar. Sirva com arroz branco e uma salada de legumes.

Batatinha na Pimenta



 A foto é da serie das ruas da Cidade de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro. Cidade beira do mar, com seus casarões muito antigos e pousadas agradáveis. Vale uma visita, pelo menos por uma final de semana. Tem um passeio de barco pelas ilhas que é muito bom.



Batatinha na Pimenta.

Bom para aperitivo, rapidinho para ficar pronto e não dá trabalho nenhum, a não ser descascar a batata.Tem gente que gosta com casca e tudo.

Ingredientes:

1kg de batatinhas
1 cebola em rodelas
1 xícara de vinagre
½ xícara de azeite
½ xícara salsinha e cebolinha
6 pimentas dedo de moça frescas (sem sementes e picada)
sal

Modo de fazer:

Cozinhe as batatas com uma pitada de sal e depois deixe de molho na água fria.Quando a batata estiver fria coloque todos os ingredientes em um tapauer com tampa e chacoalhe tudo. Prove para acertar o sal e está pronto, pode servir. Não se esqueça de tirar as sementes da pimenta senão ela vai arder, se fizer como diz a receita vão pensar que é algum tipo de pimentão.
Bom apetite!
PS: se der tempo deixe na geladeira por algumas horas que vai ficar melhor ainda.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Kibe de Forno


É meio chatinho de fazer, pois é preciso se programar quanto aos ingredientes e também com relação ao tempo de preparo, mas não é difícil. Esse kibe pode ser preparado também tipo aperitivo cortado em cubinhos menores, que fica muito bom, mas nesse caso é preciso caprichar mais no tempero. A foto é tambem da serie das ruas de Paraty.

Ingredientes:

800g de carne moída
1cebola grande ralada
1 ½ xícara de trigo para kibe (deixar de molho em água por 1 dia)
1 colher de chá de alho e sal
½ xícara de salsinha e cebolinha
10 folhinhas de hortelã

recheio:

500g de carne moída
1 cebola picada
1 colher de chá de alho e sal
pimenta do reino a gosto


Modo de preparar o recheio:
Coloque um fundinho de óleo em uma panela e refogue a cebola picada, acrescente as 500g de carne moída e mexa até que a carne mude de cor, acrescente os temperos e vá mexendo ate a água da carne secar. Reserve.


Modo de preparar o restante:
Drenar o trigo que estava de molho, deixe secar um pouco sobre uma peneirinha.
Misture o trigo e as 800g de carne moída com todos os demais ingredientes até formar uma massa uniforme. Divida essa massa em duas partes.
Unte uma forma de alumínio com óleo, Distribua na forma uma parte da massa de modo uniforme. Distribua sobre a massa o recheio de modo também uniforme.
Por fim distribua sobre o recheio a massa que restou, jogue azeite por cima e vá alisando a superfície até espalhar todo o azeite. Faça os cortes para formar os cubos com a massa ainda cru, na própria forma e leve ao forno por 50 minutos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Salsicha à Cosa Nostra


Salsicha é muito bom e jogo rápido. Esta ai outra receita para emergência.

Ingredientes:

500g de salsicha pré cozida
200g de ervilhas frescas
1 pimentão picado
1 cebola em rodelas
1 cenoura picada
1 dente de alho fatiado
sal
pimenta do reino
tomilho
azeitonas verdes fatiadas
salsinha e cebolinha

Modo de preparar:

Em uma panela ferva agua, desligue o fogo e coloque as salsichas já cortadas em rodelas de 2 cm e deixe.
Enquanto isso em uma frigideira grande adicione óleo, suficiente para deixar o fundo umido e frite o alho ate dourar, acrescente o pimentão e a cenoura e refogue mexendo delicadamente. Acrescente a cebola e continue mexendo até que tudo esteja refogado. Tempere com o sal, pimenta do reino e prove.
Por fim adicione a salsicha ferventada e a ervilha e continue mexendo até adquirir uma aparência uniforme. Enfeite com a salsinha, cebolinha e azeitonas.
Sirva com arroz branco.

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Quem é o Patinho Branco?

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Itanhaém, SP, Brazil
Formado em Administração, pescador de pesqueiro, palmeirense de quatro costados. Adoro os anos 70: tenho uma Caloi 10( são três na verdade), um fuca bala além de uma maquina fotografica Pentax Assay 35mm, só para curtir essa década maravilhosa. Cultivo uma pequena horta de temperos no quintal. Temos Manjericão do comum e do roxo, Alecrim, Hortelã, Salsinha, Cebolinha, orégano, Pimenta dedo de moça, malagueta e de cheiro. Gosto de estar com a familia, churrasquear e cozinhar, pedalar e bater papo com os amigos. Caminhar na praia é atividade obrigatória de todos os dias, quando o tempo ajuda.